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Cockpit Automóvel - Conteúdos Auto




Segunda-feira, 08.10.12

ENSAIO : Renault Mégane Coupé RS 2.0T/265cv (MY 2012)

Este carro é um puro prazer para os sentidos. Porque é difícil - para não dizer impossível – conter uma espécie de desassossego que se apodera de nós enquanto nos instalamos a bordo do Mégane RS. Logo que pressionamos o botão de “start” e o som rouco e provocante do seu motor se anuncia, estas duas letras surgem bem destacadas num painel LCD. Apenas para lembrar aos mais desatentos o volante que têm entre mãos... Como se isso fosse possível! Só mesmo alguém muito distraído não teria ainda reparado que este Mégane é diferente de qualquer outro: as baquets Recaro de competição são específicas e a fita dos cintos é de um amarelo dourado. Tal e qual como o modelo de pista. Conheça ao pormenor o carro que detém o recorde da volta mais rápida para uma viatura de série, com tracção dianteira, na pista de Nürburgring, na Alemanha.

RS significa “Renault Sport”. E apesar dos cintos prenderem da forma convencional, igual a qualquer modelo de estrada, os genes desportivos são mais do que óbvios no conjunto.
Dependendo da cor, o exterior parece apelar a uma maior discrição. Mas os sinais distintivos estão presentes: a frente específica ganhou iluminação diurna em led, com uma assinatura desportiva e as imponentes rodas de 18 ou 19 polegadas possuem novas jantes escuras, através das quais ressalta o vermelho das pinças dos possantes travões de disco.
Tudo isto flui com harmonia numa carroçaria de três portas que transpira forte carga dinâmica.

Mais potência, maior eficiência

Renovada este ano a gama Mégane (acompanhar AQUI as principais mudança e o teste efectuado às várias versões), a variante mais desportiva deste modelo não podia ficar indiferente à mudança.
À simplicidade agressiva do conjunto, a Renault Sport acrescentou 15 cavalos e 20 Nm ao binário face ao modelo anterior (ler AQUI o ensaio à versão RS de 2010) e não fez questão de escondê-los: o som rouco e bastante mais audível do funcionamento do motor turbo de 2.0 litros surge reforçado por um sistema de escape modificado para produzir um som mais elevado.
O piloto passa a poder contar com 265 cv de potência e 360 Nm de binário, capazes de proporcionarem ao Mégane RS uma resposta ainda mais rápida: velocidade máxima de 254 km/h e uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 6,0 segundos.
Algumas versões com 250 cv em modo “Normal” poderão dispor de um botão “Sport”. O que este botão faz é desligar o sistema start/stop e a assistência à travagem de emergência, enquanto o controlo de estabilidade passa ao modo “sport”. Além do tal acréscimo de débito do motor. No final do texto existem informações mais pormenorizadas sobre as várias possibilidades de funcionamento do sistema “R.S. Dynamic Management”.
Com esta solução a Renault conseguiu homologar versões mais económicas e menos poluentes, retirando daí benefícios fiscais em mercados onde a legislação o permite.
Mais dados técnicos sobre o modelo estão no TEXTO de apresentação do modelo.

Condução apaixonante

Contudo, muita potência, binário elevado e outros factores que contribuem para um elevado desempenho desportivo não parecem de muita utilidade num País onde todas as estradas têm velocidade limitada e qualquer infracção por excesso é cada vez mais penalizada.
Só que, carros como este são uma questão de paixão. E nessas circunstâncias a racionalidade conta pouco.
O novo Mégane RS está mais selvagem e a sua condução mais solta e directa. A vontade de domar e aproveitar todo o seu potencial acaba por ser um desafio ao alcance de poucos eleitos com talento para dominar tamanha agressividade transmitida à estrada através de pneus que podem ser de 18 ou de 19 polegadas.
Mas a sobranceria com que ele se comporta perto dos limites – limites de quem o conduz! – acaba, apesar de tudo, por inspirar uma certa tranquilidade. Há que ter presente que todos os Mégane R.S. comercializados em Portugal dispões de chassis Cup, com diferencial autoblocante e trem dianteiro de pivot independente. Ora se isto reforça a possibilidade do piloto alcançar emoções fortes, a capacidade e a elevada resistência à fadiga do sistema de travagem Brembo são uma realidade presente para evitar males maiores: os discos dianteiros de 340 mm são ventilados (os de maior diâmetro em todo o segmento dos desportivos compactos), atrás dispõe de discos perfurados de 290 mm.
Mas não nos fiemos. Carros assim foram aperfeiçoados para gente apressada, com mãos, arte e conhecimento para fazer bom uso de todas as suas capacidades.

Versões especiais: Red Bull

Em Portugal, o Mégane R.S. é comercializado em séries limitadas que reforçam ainda mais o seu carácter exclusivo.
A mais recente acrescenta Red Bull à designação, sendo, por conseguinte, uma celebração da presença da marca francesa do campeonato mundial de Fórmula 1.
Esta nova série limitada assume um “look” personalizado e equipamento ainda mais desportivo: o chassis Cup, diferencial autoblocante e R.S. Monitor. Para optimizar as emissões e os consumos do motor está presente um sistema “Stop & Start” que ajuda a diminuir os consumos e as emissões: 7.5 l/100 km (-0,7l) e 174 g de CO2/ km (-16 g).
O equipamento “R.S. Monitor” é um sistema inspirado na telemetria e que permite parametrizar os sistemas de ajuda à condução e dispor, no painel de bordo, de um conjunto de informações como se estivesse em pista: medição automática da aceleração de 0 a 100 km/h, parametrização do acelerador, etc. No final do texto existem informações mais detalhadas sobre este sistema.
A versão “Red Bull” está somente disponível na cor “Preto Estrela”, que é realçada por aplicações em amarelo Sirius na lâmina dianteira ao jeito de um F1, nos retrovisores e no difusor traseiro. Nas laterais existe o logótipo oficial da escuderia “Red Bull Racing Formula One Official Team”.
No interior, as baquets Recaro, a pega da caixa de velocidades específica e a placa numerada acentuam o carácter vincadamente desportivo e exclusivo.
Com o modo “Normal” activado e o sistema “Stop & Start” operacional, o motor debita 250 cv e o binário é de 340 Nm. A assistência à travagem de urgência e o ESC mantêm-se operacionais, desligando-se quando o modo “Sport” é activado. O binário máximo passa então para os 360 Nm, o motor ganha 15 cavalos suplementares e o controlo de estabilidade adquire postura mais desportiva.
Vejamos então algumas soluções de um autêntico modelo de competição que estão presentes no novo Mégane R.S.

Dócil ou selvagem?

A verdade é que a Renault Sport desenvolveu um produto de estrada bastante próximo de um modelo de competição.
Assim, o Mégane R.S. pode ser um carro acessível e prático de conduzir, que beneficia de um comportamento dócil e previsível graças a um conjunto de ajudas electrónicas.
Para aprimorar o seu desempenho e dotá-lo de um comportamento mais selvagem e desportivo, a suspensão, a transmissão e toda a geometria do trem dianteiro foram concebidos de forma a funcionarem convenientemente e de modo independente com vários tipos de afinação, sobretudo em momentos de forte desaceleração ou durante travagens apoiadas.
Para controlar tudo isto existe o painel “R.S. Dynamic Management”, um dispositivo que permite ao condutor escolher o nível de assistência electrónica na condução:
- Por norma o ESP (controlo de estabilidade), o ASR (controlo de tracção) e a ajuda à travagem de emergência estão activados e a cartografia do pedal do acelerador adapta-se perfeitamente a uma utilização quotidiana. Neste modo, a potência é de 250 cv e o binário de 340 Nm.
 - Uma pressão curta no interruptor do ESP activa o modo "Sport". O ESP torna-se menos intrusivo e, tal como o ASR, apesar de estes continuam activos, a sua entrada em acção é ligeiramente atrasada. Isto permite à viatura um determinado ângulo de deriva, entrando apenas em funcionamento quando essa deriva ultrapassa um ponto definido. A cartografia do pedal é alterada para uma resposta mais imediata do motor, beneficiando ainda do aumento de potência para 265 cavalos e do binário para 360 Nm.
  - Finalmente, no modo "Off" a pilotagem perde a assistência e torna-se bastante pura. Este modo, activado com uma pressão longa no interruptor do ESP, garante um máximo de sensações, nomeadamente em circuito: a correcção electrónica da trajectória é totalmente desactivada e a cartografia do pedal é modificada para uma resposta ainda mais rápida. O motor debita 265 cv e 360 Nm.
As indicações "ESP Sport" ou "ESP Off" no painel de bordo informam o condutor do modo seleccionado.

Monitor digno de um “paddock”

Apesar de não se tratar de uma novidade, antes da evolução de um equipamento disponibilizado desde pelo menos 2009, este acessório aplica-se com bastante assertividade num veículo com as características do Mégane R.S..
O sistema electrónico recolhe, através de vários sensores, informações sobre a condução. A sua visualização é controlada por um comando sob o volante. No ecrã central surgem as seguintes informações:
- Indicadores de solicitação do motor: pressão do turbo, temperatura do óleo e solicitação dos travões.
- Indicadores instantâneos de performance do motor: binário e potência.
- Diagrama "GG": indicação das acelerações laterais e longitudinais.
- Cronómetro, com memorização dos tempos realizados.
- Prestações com memorização automática das melhores performances em 400m ou dos 0-100 km/h com arranque parado.
O “R.S. Monitor” permite, igualmente, personalizar a cartografia do pedal do acelerador. Estão disponíveis cinco cartografias quando a função "Sport" é activada: linear, normal, neve, Sport e Extreme, para a dosagem de aceleração pretendida.
Os utilizadores de iPhone poderão experimentar este sistema independentemente do automóvel que possuam. A aplicação “R.S. Monitor” desenvolvida pela Renault Sport Technologies permite, através do GPS e da função câmara do telefone, ter uma ideia de algumas das funcionalidades presentes no novo Renault Mégane R.S..

Dados mais importantes
Preço (euros):desde 38 100
Motores1998 cc, 4 Cil./16 Valv., 265 cv às 5500 r.p.m., 360 Nm das 3000 às 5000 rpm, turbo, injecção multiponto sequencial
Prestações
255 km/h, 6,0 seg.
Consumos (médio/estrada/cidade)8,2 / 6,5 / 11,3 litros
Emissões Poluentes (CO2)190 gr/km
(*) sem despesas administrativas e de transporte

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